«Qual tamanho de inversor solar para bomba d’água eu preciso?» é a pergunta que decide o orçamento e o desempenho de qualquer sistema de bombeamento solar. A resposta curta é: o inversor se dimensiona pela potência do motor da bomba, com uma margem de segurança, e os painéis se dimensionam acima dessa potência para garantir horas de trabalho úteis. A resposta completa, que é a que evita erro de compra, passa por quatro números que você precisa levantar antes de pedir qualquer orçamento: potência e tensão do motor, altura manométrica total, vazão desejada e horas de sol úteis da sua região. Com esses dados em mãos, o restante é aritmética simples, e é ela que você vai ver neste guia, com exemplos da linha IDEEI.
Passo 1: a placa do motor manda
Tudo começa na placa do motor submerso ou de superfície que vai trabalhar com o inversor. Anote a potência em kW ou CV, a tensão (monofásico 220V ou trifásico 220V/380V) e a corrente nominal. Se a bomba já existe e a placa está ilegível, meça a corrente com a bomba trabalhando na condição real de poço e reservatório: o valor medido no pior cenário, com o nível dinâmico mais baixo, é o que vale para o dimensionamento. Nunca dimensione pelo consumo médio de um dia tranquilo, porque o sistema precisa aguentar justamente o dia difícil, aquele de calor, poço rebaixado e caixa vazia.
Passo 2: some a margem de 25%
Com a potência do motor definida, aplique a margem prática de cerca de 25% para escolher a faixa do inversor. Um motor de 1,5 kW pede um inversor de 2,2 kW; um de 3 kW, um de 4 kW; um de 7,5 kW, um da faixa de 9 a 11 kW. Essa folga absorve a corrente maior na partida, a perda de rendimento dos painéis com o calor do meio-dia e o envelhecimento natural de todo o conjunto. Economizar exatamente nessa margem é a economia que mais sai cara no bombeamento solar, porque o sintoma de um inversor no limite é sempre o mesmo: desarmes por sobrecarga nas horas de maior demanda.
Passo 3: confira a classe de tensão e a janela DC
Escolhida a potência, confirme que a classe de saída combina com o motor e que o arranjo de painéis fecha na janela DC do inversor. Na QB100-PV os ramos são claros: 220V trifásico S2 de 0,4 a 7,5 kW e 220V monofásico SS2 de 0,4 a 5,5 kW, ambos com entrada DC de 180 a 450V, e 400V trifásico de 0,75 a 37 kW com entrada DC de 250 a 900V. A tensão do arranjo em série precisa cair dentro dessa janela com folga nos dois extremos, lembrando que em manhãs frias a tensão dos módulos sobe e em tardes quentes o ponto de trabalho desce.
Passo 4: painéis entre 1,3 e 1,6 vez a potência do motor
A segunda conta do dimensionamento é a do arranjo fotovoltaico. A faixa que funciona na prática fica entre 1,3 e 1,6 vez a potência do motor: para um motor de 2,2 kW, algo entre 2,9 e 3,5 kWp de painéis. Abaixo de 1,3, o sistema só entrega a vazão plena perto do meio-dia e perde as horas da manhã e da tarde; acima de 1,6, o custo extra dos módulos rende cada vez menos água, salvo quando o poço é muito profundo ou o dia útil de bombeamento precisa ser o mais longo possível. Quem dimensiona nessa faixa consegue encher a caixa mesmo em dias de sol mediano, que são os dias que realmente definem a autonomia do sistema.
Um exemplo residencial com números redondos
Pense em uma casa de campo com bomba submersa de 1,5 kW em 220V, poço de profundidade moderada e caixa de 5.000 litros. Pela regra da margem, o inversor indicado cai na faixa de 2,2 kW, dentro do ramo 220V da QB100-PV. O arranjo fica entre 2 e 2,4 kWp de painéis, montado em série de forma que a tensão total trabalhe confortavelmente dentro da janela de 180 a 450V. Com esse conjunto, a bomba trabalha em velocidade variável acompanhando o sol, sem partida brusca e sem bateria, e a caixa cheia ao fim do dia cobre o consumo da noite e da manhã seguinte.
Quando a potência sobe: o caminho da LX200
Nem todo poço é residencial. Irrigações, fazendas de gado e abastecimento de comunidades trabalham com motores de dezenas ou centenas de kW, e aí a pergunta sobre tamanho muda de escala, mas não de lógica: motor, margem, classe e arranjo, sempre nessa ordem. Para essas potências a plataforma indicada é a IDEEI LX200, que cobre de 0,4 a 500 kW nas classes de 220V e 380V, com controle solar baseado em MPPT que ajusta a velocidade da bomba conforme a potência disponível. Na série de 380V, a carcaça é de plástico abaixo de 18,5 kW e metálica a partir dessa potência, detalhe que entra no planejamento da instalação e da ventilação do abrigo.
Os erros de dimensionamento mais comuns
O erro número um é dimensionar pela vazão que se deseja, sem considerar a altura manométrica: a mesma bomba entrega vazões muito diferentes a 40 e a 120 metros de altura total, e é a altura que define a corrente real de trabalho. O segundo erro é somar a potência dos painéis sem somar as tensões em série, descobrindo na instalação que a janela DC não fecha. O terceiro é ignorar o nível dinâmico do poço no verão, quando ele cai e a bomba trabalha mais pesada bem no período de maior consumo. E o quarto é escolher o inversor pela potência nominal da bomba nova de prateleira, sem conferir se o motor que já está no poço tem a mesma tensão e a mesma corrente.
E se o motor for trocado depois?
Poços não são estáticos: um dia o motor queima, a bomba é substituída ou a propriedade amplia o consumo e entra um conjunto maior. Se essa possibilidade existe, ela deve entrar na conta de hoje. Um inversor escolhido com a margem correta e dentro de uma família ampla de potências costuma absorver a troca por um motor um degrau acima sem precisar ser substituído, desde que a nova corrente e a nova tensão fiquem dentro da janela dele. Por isso, na hora de comparar modelos, vale olhar a família inteira e não apenas o modelo exato do momento: quem compra olhando só para a bomba atual pode economizar hoje e pagar um inversor novo amanhã. Registrar a corrente real do conjunto instalado, com data e nível do poço, é o dado que vai permitir refazer essa conta com segurança quando a troca chegar.
Perguntas frequentes
Posso arredondar o inversor para a faixa de baixo se a diferença for pequena?
Não é o recomendável. A margem de 25% já é o mínimo pensado para absorver partida, calor e envelhecimento do arranjo. Arredondar para baixo consome essa margem antes mesmo da primeira partida e costuma aparecer como desarme por sobrecarga nos dias de maior demanda, que são justamente os dias em que a água não pode faltar.
A potência dos painéis precisa ser igual à do inversor?
Não, e nem deve. Inversor e arranjo se dimensionam com critérios diferentes: o inversor acompanha a potência do motor com margem, enquanto o arranjo se projeta entre 1,3 e 1,6 vez a potência do motor para estender as horas úteis de bombeamento. São duas contas separadas que se encontram na janela DC e na corrente máxima do equipamento.
Como fica o tamanho em poços muito profundos?
A profundidade entra pela altura manométrica total, que soma nível dinâmico, altura até a caixa e perdas na tubulação. Quanto maior essa altura, mais a bomba trabalha próxima do limite da sua curva, e mais importante fica respeitar a margem do inversor e medir a corrente real em vez de confiar apenas na placa. Em projetos profundos, a LX200 costuma ser a plataforma indicada pela faixa de potências que cobre e pelas proteções orientadas a bombeamento.
Quer uma conta fechada com os dados do seu poço? Envie potência e tensão do motor, profundidade, nível dinâmico e altura até a caixa, que devolvemos o tamanho de inversor e de arranjo IDEEI para o seu caso: contato.